O que você diria para quem pensa em ser mãe?

Tá, muito linda a ideia de querer ter filho sozinha, mas como é isso na prática? Como é ser mãe e trabalhar e como é ter que pagar as contas e conciliar os tempos, os orçamentos, as vidas? Eu não tinha ninguém por perto que tivesse feito uma produção independente, então entrevistei algumas (várias) amigas (obrigada, obrigada, obrigada!) pra tentar ter uma visão mais real do que é cuidar de alguém sozinha. Compartilho aqui alguns pontos que marcaram dessas conversas.

Imagem da maravilhosa da Mãe Solo, autora de O Exército de Uma Mulher Só

De parcerias e ajudas

Minhas amigas casadas observaram que nem sempre ter um parceiro de vida quer dizer ter um parceiro na criação dos filhos. Tem uma metáfora (meio brega, como toda boa metáfora) que ilustra bem isso: o papel do porco e da galinha no café da manhã. Prover ovos para a refeição é estar envolvido no processo, mas cortar a carne pra prover bacon é estar comprometido. E infelizmente nem sempre os dois lados estão num mesmo nível de comprometimento.

No meu caso, a vantagem é que não corro o risco de me frustrar com meu par por causa de uma sobrecarga na criação. Por outro lado, aquela sensação sufocante de que tudo está em suas costas e que a vida de seu filho depende de você, principalmente naquelas fases mais negras do puerpério é beeeeeem mais pesada. E mesmo que você aprenda a lidar com isso, o fato de que você é a única responsável pela criação é incontestável, mesmo que você tenha a melhor aldeia do mundo.

Falando na aldeia…

É preciso uma aldeia para criar uma criança” você já deve ter ouvido milhares de vezes, mas minhas amigas mãe solo fizeram um complemento importantíssimo: a aldeia não vem se você não chamar. Parte da maternidade, solo, conjunta, indie, é aprender a pedir ajuda.

Em tempo: vai visitar uma mãe recente? Essa lista de presentes para quem acabou de ter bebê tem até itens gratuitos, mas com um valor enorme pra quem está em casa nos primeiros dias.

Do apego

Uma amiga foi enormemente generosa em falar sobre como, por se colocar no lugar de única responsável pela criança, algumas vezes exageramos no apego. Aqui o assunto é super delicado mesmo: você quer deixar claro pra criança que você estará sempre ali (e você quer estar sempre ali), mas tem que tomar cuidado pra que ela consiga ter independência quando não estiver com você, seja na escolinha, seja mais pra frente na vida.

Dinheiro$$$

“Sim, ter filhos é caro” – Todas as mães do mundo.

Fazer uma planilha de gastos pode ser agoniante, mas fato é que viver é caro e isso não seria diferente pras crianças. Eu fique boba com a quantidade de coisas que você precisa comprar no primeiro ano: toalhas, banheira, roupas, lençóis, removedor de ranho, tesouras, tudo exclusivo para os pequenos. É realmente a fase que concentra os maiores gastos, além de você gastar porque é duro resistir à tentação daquelas roupinhas tão lindinhas e fofinhas.

Vale muito a pena seguir uma lista básica de compras como a que uma amiga me passou, porque você acaba ganhando muita coisa ou, melhor ainda, herdando roupas de outros bebês que você viu crescer.

Outra “despesa” que aparece é algum investimento, um seguro de vida, alguma forma de guardar nem que seja 10 reais por mês pra algum imprevisto. No final das contas, você olha pro lado e vê que outras pessoas conseguem, reavalia gastos, vira a rainha dos grupos de desconto. E mesmo que os números não estejam 100% perfeitos, você se ajusta.

O cansaço

Eu morria de medo da fase de acordar de madrugada porque dou defeito se não durmo direito. E aí um outro depoimento de realidade que minhas amigas me passaram: mesmo depois dessa fase você continua cansada por conta da dupla jornada.

Eu, super da noite, agora comemoro se não estou caindo de sono antes de meia noite. Também passei a dormir no meio do dia quando Stella dorme, coisa que achava super estranha antes. E aí fui descobrindo técnicas de minimizar o cansaço, otimizar (mais) o tempo.

Do quanto tudo vale a pena

“Eu estava indo te encontrar determinada a contar todas as coisas mais difíceis, as tretas, os momentos mais difíceis. Mas no final das contas, tudo passa rápido e vale tão a pena…” A frase de minha amiga resume bem. Sim, é difícil. Sim, tem MUITA treta. Mas ver aquele serzinho crescendo diante de você é tão maravilhoso que não tem como vestir a capa de mãe babona.

(e passa rápido demais)

Eu achava esse o maior dos clichês da maternidade. E agora entendo total as mães que ficavam encantadas com crianças menores, minha amiga que não resiste a cheirar uma cabecinha de bebê. Passa rápido mesmo, mesmo! Claro, você celebra os avanços (principalmente nós, as mães de prematuros), mas ao mesmo tempo vem aquela lembrança de quando o bebê era aquela coisa quentinha e quietinha no seu colo.

Aproveite, tire mil fotos, abrace, carregue no colo o quanto você bem quiser. E se prepare pra agir em breve como todas as mães que te pararam na rua com saudades de neném quando o seu crescer.

Ah! Me conta o que você diria pra quem quer ser mãe?

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