Faz logo uma produção independente!

Ooh, stop
With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
But there’s nothing in it
And you’ll ask yourself

Where is my mind
Where is my mind
Where is my mind
Way out in the water
See it swimmin’

Where is my mind – Pixies

A pergunta na lata veio de minha gineco, pragmática como sempre. Fui à consulta para perguntar sobre congelamento de óvulos. Ela: “Você tem 39 anos, está tarde pra isso. Se você está empregada, com dinheiro e decidida, pra que esperar?”.

Eu nunca tive crise de idade, convivo muito bem com meus anos. Não sou da turma “era feliz e não sabia”, sempre tive total certeza de que estava vivendo momentos incríveis enquanto eles aconteciam. Mas fazer 39 anos me trouxe uma inquietação, uma tristeza. A foto, tirada na época, ilustra bem, Pixies é a trilha perfeita.

Me questionava, me cobrava. Repassava a checklist: minha carreira ia bem, a família com saúde, amigos queridos e próximos, uma casa com meu jeito. Estava sozinha e ok com isso. De onde vinha esse buraco?

Pedi ajuda aos universitários, psicólogos, psiquiatras, grupos de FB, fiz o necessário para voltar a respirar e conseguir entender o que estava acontecendo, qual era a da crise de idade a essa altura do campeonato.  Voltei 3 casas e fui relembrar como imaginava que seria minha vida de adulta.

Nunca me imaginei de véu e grinalda, mas sempre quis ter o cara legal ao meu lado. Sempre quis ser mãe. E sei lá pq raios, achava que isso ia acontecer depois dos 35 (só não contava que seria beeem depois dos 35). E como ter filho se eu nem tinha um match no Tinder, um paquera na firrma, que dirá namorado?

Fui na gineco procurando saber sobre congelamento de óvulos pra ganhar tempo. E aí a dra veio com a pergunta-voadora-pé-no-peito. Saí da consulta com o contato de uma clínica de fertilização.

Fiz os exames recomendados. Peguei mais uma indicação de clínica. Pensei, pensei, pensei. Entrevistei amigas com e sem marido. Pensei, pensei, pensei. Fiz as contas do tratamento. Pensei, pensei, pensei.

E tentando resumir, pois esse é um post de introdução: infelizmente, por mais moderninha q você seja, a biologia é cruelmente real. Nunca imaginei embarcar na maternidade sem um par, mas isso tem data de vencimento para acontecer. Já marido eu posso achar até quanto estiver com minha amiga num abrigo, julgando pessoas. 

Pensei, pensei, pensei e decidi. E fiz o tratamento. E deu super certo. E aí deu errado. E agora tenho Stella, agora com quase dois anos. E vou contar aqui o que aconteceu meio pra registrar, meio pra servir de fonte pra quem está numa situação como a minha, que tem o desejo de ser mãe, mas que está sem alguém pra embarcar nessa. 

Do nome: Quando eu penso em produção independente, lembro de Solange, da novela Vale Tudo. O termo tem lá seu cheirinho de mofo. Mãe Solo não descreve minha situação porque estou sozinha nessa por opção. Então vamos de Mamãe Indie!

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